Emaranhado...
Eu tento constantemente lidar com o que tenho sentido, mas é
como nadar contra o mar, as ondas te puxam cada vez mais para o fundo. É tão
intenso, tão inseguro. Dói, é desesperador. As profundezas da nossa mente e do
nosso coração damos conta sozinhos. Eu, quando me deparo com essa solidão ou
liberdade, ainda não defini a palavra em via de tanto caos interno, só posso
dizer que choro e passo essa intensidade para o papel, e transbordo em lágrimas.
Como engolir os sapos que a vida tem trazido? Como deixar de lado a
autenticidade e fingir ser alguém que o mundo quer só para se estabelecer ou mentir
dizendo que foi achado seu lugar? Eu não sei como as pessoas conseguem fingir
que está tudo bem quando não está, ou sorrir e disfarçar a dor. Se tiver que
expor, que exponha. Se estiver doendo, converse, escreva, ouça, pinte, faça o
que te faz bem... porque aquilo que emana cansaço, sofrimento e solidão só vai
definhar a mente e o coração aos poucos, como uma morte lenta... E a vantagem
dos dias, ainda sem saber do futuro, é que nenhum é igual ao outro, e que
aquilo que hoje te faz doer, amanhã te fará forte, amanhã te fará sábio, amanhã
te fará sereno. A vantagem é perceber que a dor se transforma em alegria
verdadeira quando vivenciado o luto da forma correta, quando a busca pelo
caminho de si mesmo é através da tentativa e erro, e esse te permite crescer,
te permite não o refazer. Quem sente, sofre, quem sofre, oscila, mas quem
oscila, vê a vida de uma forma real, poética como é e por vezes dura,
enfadonha, mas em toda sua maioria e em todo o contexto, forte, legal, feliz...
Sendo como o mar: a onda outrora com o
vento traz a sujeira, mas leva de volta para o fundo do mar, deixando a limpeza
na beira da praia... É uma fase, basta
aprender e crescer com cada uma que a vida trouxer; basta acordar, vestir a
armadura e lutar ainda que ninguém veja, porque o crescimento que se tem com
isso é pra si, não para o outro perceber.

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